O dilema do leitor

In: KOESTLER, Arthur. O Iogue e o Comissário. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, S. A., 1947, págs. 51-60 [Publicado pela primeira vez no Tribunbe (Londres), abril de 1944]

por Arthur Koestler

Caro Cabo Leff:

Recebi a sua carta alarmante, e farei o possível para respondê-la. Você escreve:

Tenho vinte e dois anos. Antes de ser convocado, fui técnico em rádio em L. escrevo-lhe para indagar qual o crítico que devo ler para ter um guia seguro na compra de livros. Posso somente comprar um livro por mês, e estou economizando 2 s. por semana para compra-lo. Leio o News Cronicle e às vezes consigo o Tribune ou o New Statesman. Porém na maioria das vêzes as críticas são um pouco intelectuais e elevedas demais para mim… Na minha unidade há pouco gente interessada em livros… Nosso acampamento encontra-se em local bastante isolado…

É possível que muita gente pense que qualificar sua carta de “alarmante” seja exagero. Não o creio. Não estou muito preocupado com a questão técnica em sua carta, mas sim com o apelo patético que leio nas entrelinhas. Como fui conferencista militar nos últimos três anos, encontrei-me com centenas de homens em sua condição e de seu tipo: o pensativo cabo do exército de recrutas. Digno de confiança e sério, você terá obtido sem grande dificuldades suas duas divisas, porém exceto a R.A.F., não chegará jamais à terceira. Enquanto leio sua carta, você começa a tomar forma para mim, apesar de nunca o haver visto. Imagino-o numa tarde de sábado, vasculhando a sombria biblioteca da Associação Cristã de Moços, ou pedindo à linfática jovem da barraca W.H. Smith uma edição Pingüim esgotada. Você sente-se vagamente atraído pelos movimentos de tendências socialistas e no entanto o simples nome do partido Trabalhista lhe sabe a cerveja azeda; você mantem mais ou menos em dia seu diário e planeja escrever um conto sôbre a vida do soldado no exército, para o Tribune ou o New Writing e, nas conferências que ouvir, fazer perguntas cuidadosamente preparadas sobre a linha Curzon e como reeducar os alemães. Há alguns anos você era assinante do Clube do livro da esquerda, porém desistiu por causa daquele mesmo gosto azedo na boca ou por causa do pacto Stálin-Hitler. Nas danças você escolhe uma jovem séria que entretanto é magra e anêmica e, em contradição com a lei da procura e oferta, é mais virtuosa que suas irmãs mais belas. Você vê seu futuro através de uma perspectiva bastante desagradável de classes e leituras noturnas, e um complicado plano de economia para uma visita de uma semana à França. Você não inveja os ricos, porém ressente-se amargamente da pobreza. “A luta de classe” é para você uma expressão abstrata, e “barricadas” um termo romântico associado à idéia de Paris e ao século passado. O denominador comum de seus pensamentos e emoções, é uma massa enorme, cinzenta, cheia de frustrações.

Mas voltaremos ao seu problema pessoal mais tarde; trataremos inicialmente de seu problema técnico. Há uma resposta curta para ele e outra longa. A curta é para a ficção: leia Betjeman no Herald; para a não-ficção, a página bibliográfica do Observer; e se quiser uma crítica mais minuciosa folheie o Listener. Seus julgamentos não são infalíveis, porém em geral seguros e independentes; são retos, nem jocosos nem aborrecidos; raramente deixam escapar um livro importante. E agora a explicação mais longa.

Antes de tudo, creio que a crítica neste país não é tão má em seu conjunto, comparada com a dos outros países. Na Rússia, por exemplo, a diretriz da literatura é decretada por porta-vozes do governo e os debates literários são cheios de acusações de “desvios contra-revolucionários”; fazer uma crítica desfavorável a Gide durante sua visita a Moscou, significaria “sabotar as relações culturais internacionais da U.R.S.S”; dar-lhe uma boa crítica depois de ele ter-se tornado um herege, teria sido igualmente perigoso para o crítico e o editor. Um importante burocrata literário em Moscou (J.R. Becher) disse-me de uma feita: “Nós fazemos as reputações dos escritores que julgamos aproveitáveis e destruímos os escritores que julgamos perniciosos; considerações estéticas são preconceitos pequeno-burgueses”.

Na Alemanha, é escusado dizer, as cousas são ainda piores. A crítica é sujeita a considerações raciais e partidárias; Heine, o judeu, Thomas Mann, o liberal, Silone, o socialista, são banidos por esses motivos, sem consideração pelo seu mérito literário.

Na França, a imprensa nunca levou a crítica dos livros muito a sério; os jornais ingleses devotaram aos livros apreço e cuidado consideravelmente maiores. A intriga e corrupção lá tomaram conta da política literária; os prêmios anuais (Goncourt, Femina, etc) eram troféus das lutas de “cliques”; o êxito de um livro dependia mais do esforço do editor (o que ás vezes, incluía o suborno da crítica) do que aqui. Lembro-me que quando meu primeiro livro foi publicado na França, meu editor, o falecido Albin Michel, fez-me passar um dia inteiro em seu escritório, assinando uns trezentos exemplares para serem mandados para críticos, editores e pessoas influentes e geral. Tinha ele uma longa lista escrita à máquina, da qual ditava as variáveis formas de dedicatória – hommage de l’auteur – hommage distingue – hommage très distingue – hammage distingue et respectueux – e não sei mais o quê, de acordo com a posição social do endereçado. Pelo menos isto é, graças a Deus, desconhecido aqui. Há, naturalmente, almoços de editores e críticos; há alguma propaganda que às vezes estende uma película discreta e calmante de óleo sobre as tempestuosas colunas dos livros; há entre autor e crítico a amizade pessoal e as “cliques”; porém tudo isto dentro de limites razoáveis, e a crítica na Inglaterra é no seu conjunto mais decente e honesta do que em qualquer parte da Europa (antes da guerra).

Entretanto, é este um mérito relativo. Passando em revista as colunas bibliográficas, especialmente aquelas que tratam de ficção, deduzi que sua queixa era justificada, que o efeito era mais de molde a confundir que ajudar, quando chegava a ocasião de resolver se valia a pena comprar o livro. A principal dificuldade reside, creio, em que a maioria dos críticos profissionais do romance perdeu a medida dos valores desde há alguns anos. Naturalmente, não se pode ter uma régua para medir o mérito literário, nem um termômetro para o calor emocional; entretanto espera-se que uma crítica tenha o senso da proporção com referência à importância da obra criticada. Tomemos como exemplo a coluna de Mr. Ralph Strauss no Sunday Times; no último número (abril 9. 1944) criticou eles três novelas; as linhas finais de cada crítica, terminavam respectivamente como segue:

“…companhia excelente e não há uma página aborrecida em seu livro”.
“…lê-se excepcionalmente bem e pode ser calorosamente recomendado”.
“…promissor e formoso. Um bom trabalho”.

Escolhendo ao acaso, outra semana (março, 19), há cinco críticas, que terminam por sua vez;

“…é um prazer ser-lhe apresentado (à autora)”.
“…segue um curso altamente pitoresco”.
“…uma história contada de maneira interessante e simpática”.
“…de leitura fácil e agradável”.
“…seu diálogo é fácil e natural”.

Pensei em seus dois “shillings” por semana, e meu coração encheu-se de consternação; como você pode saber como aplica-los, lendo estas eternas e idênticas prescrições produzidos pela máquina de fazer salsichas; uma sentença introdutória, a história relatada em três ou quatro, uma palavra de branda crítica e de louvor como os exemplos acima? A salsicha é enchida, selada com três asteriscos e segue-se outra. Suponhamos que entre os romances publicados esta semana, haja um chamado “Rosas de um jardim de Kent” por uma Miss Margery Edwardes, e outro chamado “Crime e castigo”. Cada um receberia mais ou menos vinte linhas, separados por asteriscos; aproximadamente assim:

…da bela paisagem de Kent. Seus caracteres são bem esboçados e a história, se bem que às vezes manquitolando, é contada graciosa e habilmente.

***

O Sr. Dostoievski, russo, não possui o humor delicado de Miss Edwardes. Um estudante, jovem e excitado, mata uma usuária a machado…efeito algo mórbido. Porém, os caracteres são bem esboçados, o diálogo é fluente e, no conjunto, a história é contada com habilidade e acerto.

Nessa escala, uma tonelada pesa tanto quanto uma onça; e apesar de admitir que Strauss é um exemplo estremo, esta falta de perspectiva e proporção constitui, em graus variáveis, a principal fraqueza das críticas bibliográficas nos jornais diários e dominicais. Examina-las uma por uma seria tedioso; portanto, voltemo-nos para a sua principal angústia, os semanários. Você acha que essas críticas são demasiado intelectuais e elevadas para você, é aí que seu problema pessoal se manifesta naquele sentimento de ressentimento e frustração que se revela nas entrelinhas de sua carta.

Creio que posso adivinhar o que você sente. Você começa a ler um artigo ansiosamente, digamos no New Statesman; suponhamos que escrito por Raimundo Mortimer ou Stonier; depois de algumas linhas você tropeça em uma alusão que não entende – uma referência a Proust, ou Kafka, ou Pèguy – autores que você nunca leu. Porém o autor do artigo supõe que todos leram, ou pelo menos deviam tê-los lido; e assim você começa a se sentir como um aluno que não aprendeu sua lição ou melhor como o conviva não convidado de uma festa; deixado de lado, humilhado, invejoso, melindrado. E aqui chegamos ao ponto crucial: estamos face a face com a parede, a trágica barreira que separa a “intelligentsia” progressista da classe operária educada.

Não sejamos hipócritas neste assunto. A parede já se acha, e quanto mais tentamos afasta-la por meio de explicações, mais batemos com a cabeça de encontro a ela. Por volta de 1930, intelectuais da Esquerda tentaram passar por proletários; foi uma farsa. Tentaram escrever “para as massas”; foi um malogro. Não adianta saltar o muro; nossa tarefa é derruba-lo. Isso é, porém, uma tarefa política, não literária. É, creio eu, a principal e derradeira tarefa do socialismo.

Toda esta conversa sobre os intelectualmente superiores e os outros é uma cortina de fumaça. Os fatos brutais são que os pais dos críticos puderam pagar durante dezesseis anos em média para que eles pudessem ler, aprender ociosamente, e afundar-se naquele alimento espiritual que você tanto deseja. Você pode freqüentar a escola durante mais ou menos nove anos – foi uma escola diferente e havia menos lazeres. Eis a barreira que se ergue entre você e ele e entre mim e você. Quando estamos um pouco tocados ou sentimentais, ou confraternizamos em uma simples reunião, a barreira parece desaparecer, porém quando voltamos cada qual à própria rotina, lá está ela novamente. Não adianta o fato de eu me sentir culpado em relação a você, nem você em relação à minha pessoa. Compartilho seu sentimento de frustração; desprezo a classe que é a causa disso; mas não espere que eu me reúna àqueles que brinca, de atacar os intelectuais. Destrua o intelectual e você ficará da mesma forma marcando passo (um passo de ganso) diante de outro intelectual. E’ uma diversão fascista; nós devemos atacar a barreira. Enquanto ela estiver de pé, a democracia será em engodo.

E agora voltando à sua pergunta. Quem disse a você que para divertir-se com leitura, deve tortura-se com essa mistificação da crítica bibliográfica? Parece-me uma aproximação totalmente falsa. Invertendo o provérbio, você obriga-se a comer as uvas porque elas têm gosto azedo. Meu conselho é: considere a leitura como um prazer, e não como uma tarefa a ser realizada rangendo os dentes.

Posso contar-lhe uma história? Vivi durante muito tempo na França, e gosto muito de vinho. Alguns amigos meus, escritores franceses, crescidos entre os vinhedos, eram dotados daquela admirável faculdade de dizer, depois de aspirar e tomar um gole, em qual distrito a uva havia crescido e o ano da colheita. Quando jantávamos juntos, eles tinham longas discussões sobre colheitas raras, das quais eu nunca ouvira falar. Sentia-me deslocado, humilhado, invejoso, ressentido. Aqueles sabidos, como você diria, eram demasiadamente sagazes para mim. Tentei imita-los em um esforço frenético – ranger os dentes e tomar o vinho. Mas não fui criado entre vinhedos; meus primeiros vinte anos decorreram em países onde pouco vinho é bebido. Uma noite, embebedei-me feliz e completamente, bebendo de tudo misturado. Desde então, bebo somente para meu próprio gozo. Posso distinguir um clarete de qualquer outro vinho, um vinho novo de um velho, um vinho bom de um mau, e isto é tudo o que necessito para alegrar-me com o bendito líquido.

Não me interprete mal. Reconheço que o gozo do conhecedor está em um plano mais elevado do que o meu; e o mesmo digo com referência à arte, música e livros também. Nosso desejo é que cada um tenha oportunidade de alcançar um plano mais elevado no terreno particular por ele escolhido; que cada um de nós cresça entre os vinhedos. Porém enquanto isso não se dá, podemos obter o melhor de nossas limitadas possibilidades em vez de obter o pior.

Leia por prazer, homem, e não se incomode com Pèguy e Finnegans Wake![1] Vá a biblioteca pública ou barraca de livros, abra um ao acaso, leia uma página, e verá se quer ler o livro ou não. Nunca se obrigue a ler um livro – é um esforço perdido. O bom livro será aquele que exigir de você exatamente a mesma quantidade de esforço que é necessário para desligar o rádio. Só leia livros de ficção se eles o atraem; todas as grandes obras de ficção, mesmo o Pilgrim’s Progress[2] são literatura atraente para certo tipo de leitores em certo período da vida. Se o livro certo cair em suas mãos no momento exato, você não conseguirá larga-lo. Em qualquer outro momento será desperdício para você. E o mesmo se dirá com referência a ensaios, história, filosofia. Se você não sente que o livro tem uma relação definida com seus próprios interesses pessoais, problemas e aborrecimentos, largue-o. porém nunca, nunca leia rangendo os dentes, só por ler. A que se destinam afinal de contas a literatura e a arte, se não para dar ao mundo sentimento e significação, para alargar e aprofundar a compreensão de nós mesmos e as cousas ao redor de nós? E isto está ao seu alcance.

E note bem, eu não prego a resignação. É seu direito e dever sentir-se frustrado e ressentido porém no plano político. Cuidado com o uso que faz de seu ressentimento – é o único capital histórico dos pobres; sem ele, viveriam ainda em servidão. Outros gostariam de desvia-lo para a luta contra a “intelligentsia”, a cultura, a arte; para fazer você cuspir naqueles valores de que eles o privam. É uma sutil manobra de diversão; os nazistas não foram os primeiros nem os últimos a ter êxito com ela. Não caia na armadilha. O que está contra V, não é o intelectual superior, porém o rico.
__________
[1] Última obre de James Joyce (N. do T.)
[2] Obra de John Bunyan 1628-1688 (N. do T.)

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6 Respostas to “O dilema do leitor”

  1. Paulo R. de Almeida Says:

    Boa transcrição Ozai. Talvez conviesse explicar aos leitores mais jovens quem foi Arthur Koestler e o papel que ele teve na denúncia dos crimes do stalinismo nos anos 30 e 40.

  2. Aline Carla Says:

    Concordo com o que disse Paulo. Enriqueceria-nos ainda mais!”Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício.Elas começam com uma primeira lavada,molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.” (Graciliano Ramos)Arthur Koestler em sua transcrição conseguiu dizer tudo através de palavras e de uma forma tão objetiva que fica claro seu recado.Valeu!

  3. Aline Carla Says:

    Concordo com o que disse Paulo,iria enriquecer-nos ainda mais!”Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício.Elas começam com uma primeira lavada,molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.” (Graciliano Ramos)Arthur Koestler em sua transcrição conseguiu dizer tudo através de palavras e de uma forma tão objetiva que fica claro seu recado.Valeu!

  4. Anonymous Says:

    Muito bom Ozaí!

  5. Jovino Moreira da Silva Says:

    Caro Amigo Ozaí:Que bom você reviver um autor tão interessante e importante como Koestler.Boa parte de minhas idéias holísticas tem por base a leitura de Koestler. Penso que o Koestler que questiona o Homem e o Universo é mais profícuo que o Koestler que questiona o Homem e a Política. Na orelha do livro “O Fantasma da Máquina” lê-se: “Arthur Koestler, escritor mundialmente famoso, despe-se das vestes confortáveis de mistificações ideológicas, psicológicas, filosóficas – e empreende uma descida às dimensões mais profundas do desequilíbrio do homem e de lá emerge com um diagnóstico estarrecedor, fundamentado em evidências neurológicas: o crescimento repentino do cérebro humano resultou em uma errônea coordenções de estruturas cerebrais numa cisão entre emoção e razão”. Resenha bem feita dos editores e retrata em forma resumida o espírito criador e ousado de Koestler. Dos trabalhos e Koestler deduzi que o Homem é um Erro Brilhante da Natureza que deu certo. Parabens Ozaí.Jovino

  6. Henrique Says:

    Bom seria se fosse possível fazer uma graduação sem ranger os dentes, talvez seja e ainda não descobri.

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