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A resenha bibliográfica

15/12/2007

por Antônio Joaquim Severino*

Uma resenha comporta várias partes lógico-redacionais:

Cabeçalho: transcreve os dados bibliográficos completos da publicação resenhada.

Pequena Informação sobre o autor do texto. Dispensável se o autor for muito conhecido.

Exposição sintética do conteúdo do texto. Esta exposição deve ser objetiva e conter os pontos principais e mais significativos da obra analisada. Pode seguir capítulo ou parte por parte. Deve passar ao leitor uma visão precisa de teor do texto.

Comentário crítico. Trata-se da avaliação que o resenhista faz do texto que leu e sintetizou. Essa avaliação crítica pode assinalar tanto os aspectos positivos quanto os aspectos negativos. Assim, pode-se destacar a contribuição que o texto está trazendo para determinados setores da cultura, sua qualidade científica, literária ou filosófica, sua originalidade etc; negativamente, pode-se explicitar as falhas, incoerências e limitações do texto.

As críticas devem ser dirigidas às idéias e posições do autor, nunca a sua pessoa ou às suas condições pessoais de existência. Quem é criticado é o pensador/autor e suas idéias e não sua pessoa. É sempre bom contextuar a obra a ser analisada, no âmbito do pensamento do autor, relacionando-a com seus outros trabalhos e com as condições gerais da cultura da área, na época de sua produção.

Na medida em que o resenhista expõe e aprecia as idéias do autor, ele estabelece um diálogo com o mesmo. Nesse sentido, o resenhista pode até mesmo expor suas próprias idéias, defendendo seus pontos de vista, coincidentes ou não com aqueles do autor resenhado.

Como construir a resenha?

Com relação à elaboração de uma resenha, ter presente as seguintes orientações:

O cabeçalho é composto pelos dados bibliográficos do livro, a fim de se ter a identificação do texto a ser resenhado. Transcritos esses dados, construir a resenha dando os passos que se seguem. Não há necessidade de capas, páginas de rosto, etc.

Fazer algumas considerações introdutórias, contextuantes, para se criar um clima, dando a entender qual o âmbito do problema que o livro vai discutir.

Em seguida trazer algumas informações sobre o autor: quem é ele, qual a sua área de formação e de especialização, se já publicou outras obras, quais as suas principais posições, para que escreve o atual livro, etc.

Num momento seguinte, retomar e expor os principais elementos do conteúdo do livro, acompanhando o raciocínio do autor. Não é preciso detalhar muito. Se for o caso, destacar algum ponto mais relevante.

Concluir com algumas considerações finais, inclusive críticas. Trata-se de um livro importante? Por quê? Traz alguma contribuição? Para quem? Vale a pena ser lido? Por quê? Quem deve lê-lo? As posições do autor são coerentes, sólidas? São originais ou o autor é repetitivo? Etc.

No decorrer do texto, pode-se inserir pequenas passagens, quando relevantes e ilustrativas, colocando-as entre aspas e citando a página de onde foram transcritas. Mas não se deve fazer citações de outras fontes nem inserir outras referências bibliográficas. Também os comentários e apreciações podem ser distribuídos ao longo do texto, quando oportuno.

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* Professor titular de Filosofia da Educação na Faculdade de Educação da USP

** Fonte: SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez Editora, 2007, p. 210 (23ª edição revista e atualizada). Publicado com a autorização do autor.