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Razão de ser – por Paulo Leminski

21/06/2008

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Paulo Leminski
In: Melhores poemas
4. ed. São Paulo: Global, 1999. p. 7
(Os melhores poemas, v. 3).