Archive for the ‘Literatura Universal’ Category

George Orwel fiel a seus princípios – por SERGIO AMARAL SILVA

10/07/2010

Nascido há mais de um século, o revolucionário e radical George Orwell continua atual. “1984”, o livro mais conhecido do autor que criou expressões como “guerra fria” e “Big Brother”, chega agora aos 60 anos.*

“Se a liberdade significa alguma coisa, será, sobretudo, o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.” “1984”, George Orwell

George Orwell é o pseudônimo de Eric Arthur Blair, nascido em Bengala, na Índia sob dominação inglesa, em 25 de junho de 1903. Sua mãe tinha ascendência francesa, e seu pai era um funcionário civil da marinha britânica. O garoto foi educado na aristocrática Academia de Eton e, desde cedo, mostrava sua decepção com a sociedade de que fazia parte, revelando uma precoce rebeldia intelectual.

Aos 19 anos, entrou na polícia imperial britânica, passando os cinco anos seguintes entre a Índia e a Birmânia (atual Mianmar). Nesse período, revoltou-se contra a política colonial opressora da Inglaterra, desertando em 1927. Da experiência resultariam alguns de seus primeiros ensaios e seu romance de estreia, “Dias na Birmânia”, publicado em 1934.

No final dos anos 1920, de volta à Europa, Blair renegou sua origem, sua fortuna e o próprio nome, por considerá-los vergonhosos. Adotou o pseudônimo de George Orwell e passou a viver como operário de fábrica em Paris e depois como professor primário em Londres. Em 1933 sairia seu relato sobre essa vivência de miséria e falta de liberdade, “Na Pior em Paris e Londres”. Foram tempos difíceis para o escritor, que em 1935 publicou A “Filha do Reverendo” e, em 1936, “Keep the Aspidistra Flying”.

CRÍTICA

Se Orwell se deixasse abater pelos obstáculos iniciais, teria encerrado prematuramente a carreira. Um exemplo? Um de seus primeiros trabalhos recebeu da crítica o amável comentário de que ele escrevia “como uma vaca com uma espingarda”…

Alguns anos mais tarde, Orwell já começava a ser reconhecido como um autor de talento, ao mesmo tempo em que adotava atitudes cada vez mais radicais. Assim, engajar-se na Guerra Civil Espanhola, que começou em 1936, foi para ele um ato natural. Conforme suas próprias palavras, “reconheci imediatamente que era um estado de coisas pelo qual valia a pena lutar”.

Em 1937, publicaria “O Caminho Para Wigan”, narrando a extrema pobreza dos trabalhadores das minas do norte da Inglaterra. No livro, afirmou que desejava “escapar de toda forma de dominação do homem sobre o homem”.

No mesmo ano, foi para a Catalunha, onde se alistou para lutar contra o fascismo ao lado dos anarquistas do Partido Operário de Unificação Marxista, o POUM . Foi para a frente de batalha.

Em Barcelona, ele e seus companheiros começaram a ser perseguidos pelos comunistas, que deviam ser seus aliados. Isso acabou revelando o caráter duplo da posição dos russos.
Deu baixa após um ferimento a bala no pescoço e voltou à Inglaterra, tendo escrito em 1938, “Homenagem à Catalunha”, que saiu no Brasil com título de “Lutando na Espanha”. A partir desse livro, um amargo e desencantado testemunho ocular da guerra, consolidase seu objetivo literário. Como o autor afirmaria no ensaio “Por que Escrevo”, de 1946, o de “transformar a escrita política em arte”. E acrescenta: “Escrevo porque existe alguma mentira para ser denunciada, algum fato para o qual quero chamar a atenção, e penso sempre que vou encontrar quem me ouça.”
DESAFETOS
Ainda em 1938, contraiu tuberculose e passou uma temporada em Marrocos, onde escreveu a novela “Coming Up For Air”, publicada em 1939, ano em que começou a segunda guerra mundial. Orwell pensou em lutar, mas foi declarado fisicamente inapto. Ilustração Kuco Depois de sua intensa vivência espanhola, ele se mostrou decepcionado com os partidos comunistas, com sua estrutura rígida e obediência irrestrita a Moscou. Se por um lado sua postura de socialista revolucionário se fortaleceu, ao mesmo tempo cresceu nele o anti-stalinismo, levando-o a uma espécie de socialismo independente. Em 1941, trabalhando para a BBC, escreveu o ensaio “O Leão e o Unicórnio”. Na época, defendia a nacionalização “da terra, das minas, das estradas de ferro, dos bancos e das principais indústrias”. Ainda durante a guerra, serviu num corpo civil para defesa local.

“A REVOLUÇÃO DOS BICHOS”

Além do fascismo e do imperialismo, outros grandes inimigos de Orwell eram a desonestidade de propósitos e as atitudes politicamente ambíguas dos que apoiavam o regime comunista de Stalin. Isso ficou ainda mais claro quando, na Segunda Guerra, a União Soviética se aliou ao Ocidente contra Hitler. Em 1943, Orwell tornou-se editor literário do jornal Tribune e começou a elaborar uma fábula que exibisse o totalitarismo e a face burguesa da Rússia. Ali, os comunistas eram representados pelos porcos de uma fazenda inglesa dirigida por animais: “A Revolução dos Bichos”. Naquela circunstância, “estar disposto a criticar a Rússia e Stálin é a prova da honestidade intelectual”, afirmou em agosto de 1944. Vários editores britânicos se recusaram a lançar o romance, temendo criticar o aliado inglês na guerra. Finalmente, o livro acabou saindo, em 1945. Foi um acontecimento literário, que ajudou a alertar o Ocidente sobre a verdadeira natureza do regime de Moscou.

Nesse trabalho, o autor superou em definitivo a trama muitas vezes pobre de suas primeiras novelas, tratando com desenvoltura seu argumento, num cenário que lhe era muito familiar. Afinal, era apaixonado pelo campo, onde vivera no fim dos anos 1930. Na sátira, ele criticava duramente a corrupção pelo poder, indo do particular para o geral. Essa habilidade, aliás, constitui um dos pontos fortes da obra de Orwell, principalmente nos ensaios sobre política.

“1984”

Com o fim da guerra, Orwell foi para uma ilha na Escócia. Lá, aprofundou sua condenação ao autoritarismo de todos os gêneros em seu último livro, o mais conhecido: “1984”, que guarda semelhanças com “Admirável Mundo Novo” (1932), de seu companheiro de escola Aldous Huxley. George Orwell foi um dos mais influentes escritores políticos do século 20, dado o alcance histórico e geográfico de sua literatura. A propósito, a expressão guerra fria, que marcou a segunda metade do século, apareceu pela primeira vez num artigo de Orwell, de acordo com o registro do Oxford English Dictionary.

TRAIÇÃO?

O escritor morreu de tuberculose em Londres, em 21 de janeiro de 1950, com 47 anos incompletos. Antes, porém, envolveuse num polêmico episódio no qual, segundo alguns historiadores, ele teria denunciado ao governo britânico 130 suspeitos de comunismo. Outros acreditam que Orwell apenas forneceu uma lista de nomes para que essas pessoas não viessem a receber propaganda anticomunista. Segundo consta, aqueles acusados não sofreram nenhuma retaliação.

Passadas décadas desde esses acontecimentos, interessa-nos perguntar qual a utilidade de ler o autor ainda hoje, quando seus maiores adversários políticos – o imperialismo, o fascismo e o comunismo – estão praticamente derrotados. Afinal, foi exatamente nos anos 1980 que começou a cair o regime soviético que inspirou 1984…

Há muitas respostas possíveis, entre elas a de que Orwell merece ser lido, mais que por interesse histórico, pela honestidade, coragem e fidelidade aos ideais em que acreditava. “Capaz de exagerar com a simplicidade e a inocência de um selvagem”, como disse Pritchett ao resenhar “O Leão e o Unicórnio”, o escritor tem uma importante lição a nos transmitir sobre engajamento e paixão na literatura, ainda mais útil num tempo como o atual, em que predominam o individualismo e a apatia.

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* Sergio Amaral Silva é jornalista e escritor, ganhador do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, categoria Literatura. Fonte: Revista Literatura, nº 24, disponível em http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/24/artigo144825-1.asp

Análise de “A Náusea”, de Jean Paul Sartre – por Marcelo Sobrinho Mendonça

02/05/2010

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Introdução

Em “A Náusea”, Sartre nos mostra Antoine Roquentin, um historiador letrado e viajado, que chega à cidade de Bouville (“boul” indicando “lama” e metaforicamente “impureza”) a fim de escrever a biografia do marquês de Rollebon, figura pitoresca e de excentricidade fascinante, que vivera na cidade durante o século XVIII. Ao iniciar seus trabalhos, logo se desencanta de forma irreversível não só pela biografia, como também pela própria sociedade e condições humanas com as quais se depara em Bouville. Roquentin é, então, acometido por uma (a priori) estranha sensação de aversão ao ser humano e sua condição existencial – a “náusea”. Cercada de um niilismo exacerbado e elucubrações de alta profundidade intelectual, “A Náusea” nos mostra um protagonista despadronizado e repelido pelas próprias contestações que faz a respeito da existência e sua falta de sentido, ou seja, a respeito da gratuidade e ilogicidade da existência, por si só desprovida de essência. Trata-se, portanto, da saga de um personagem conturbado e por vezes beirando a loucura, tal é a nudez existencial a que ele se expõe.

Mecanismos de busca essencial

Como dito, para Antoine Roquentin a existência é gratuita e ilógica e essa constatação por cada um de nós é algo terrível e fora de aceitabilidade. Decorre dessa falta de essência verdadeira uma busca de cada ser humano por sua essência artificial e iludida, havendo, para esse fim, uma série de mecanismos que tornam a existência mais suportável.

Um desses mecanismos próprios de cada um é o que ele chama de “captura do tempo”. Trata-se de uma organização memorial para tornar pequenos fatos, simples existências, marcos de um sentimento aventureiro, fazendo desse “grande” fato um polarizador atrativo dos fatos precedentes, como se esses tivessem levado ao grande fim. Dessa forma, organiza-se a memória humana a partir de fins, na ordem inversa. Esse mecanismo é apontado por Roquentin como uma poderosa instrumentação da mentira, a qual ele mesmo usou sem se dar conta, num ato involuntário de sua própria condição de homem.

Outro mecanismo elucidado pelo protagonista é o mundo do conhecimento e das ciências, criado pelas “grandes mentes” ainda presas em sua busca essencial. Esse mundo, que trata da origem das espécies, da conservação da energia no universo e chega a conferir uma essência “preguiçosa” até às janelas, “com seu índice de refração”, é ilusório e torna o ser humano um conhecedor de seu mundo, um dominador de si mesmo e dos outros, num processo de profunda ilusão. Fazendo uma analogia à alegoria da caverna, de Platão, o homem imagina-se conhecedor de todo um universo, enquanto, na verdade, busca conhecer minuciosamente cada parte (por menor que seja) de sua caverna, sem jamais vislumbrar seu exterior. É mais um engano, sadio para a manutenção da existência.

Um outro mecanismo apontado é o de ordenamento das glórias passadistas pela burguesia acrítica e inábil para a contestação meditativa. Assim, glórias de outras gerações, baseadas no capital e no valor epidérmico do mundo, são relembradas de forma a conferir uma essência, uma lógica, à existência dos burgueses do presente. Esse mecanismo detestável a Roquentin lhe rouba críticas muito contundentes, chamando de “salafrários” a todos os burgueses de Bouville, constituintes desse espécime humano alienado.

Dialogando com Descartes

Da célebre frase “Penso, logo existo”, Sartre, pela voz de Antoine Roquentin, faz um aprofundamento filosófico bem à maneira do Existencialismo, do qual Sartre é figura proeminente. Assim, para o protagonista, a consciência da existência, o sentir-se existir, advém do fato do pensamento, ou seja, à medida que se pensa, sente-se existir. Essa consciência é algo horrível para Roquentin e torna-se ainda pior quando ele constata que a única forma para fugir à existência é fugir ao pensamento. Mas nos perguntamos: como fugir ao pensamento se a necessidade de fuga já é um pensamento, que, como qualquer outro, nos reconduz à existência? Estamos presos, portanto, à existência, pois o caminho do pensamento e a chegada ao sentimento de existir são indesvencilháveis. Eis aí uma bela explicação à referida “náusea”, que intitula a obra, pois quem suportaria estar perfeitamente cônscio de sua prisão sem, ao menos, sentir-se “nauseado”?

Humanismo x Existencialismo

Uma das únicas personagens com quem Antoine Roquentin se relaciona no livro é o Autodidata, um humanista ferrenho que aprendeu grande parte de seu vário conhecimento nos livros da biblioteca municipal, onde trabalha. De orientação filosófica bastante adversa à de Roquentin, ele representa uma personificação do Humanismo. Resulta dos encontros dos dois na biblioteca uma série de discussões de alta profundidade intelectual, num gládio de alto nível entre as duas posturas – a do Humanismo (representada pelo Autodidata, credor das capacidades humanas diferenciais) e a do Existencialismo (representada por Roquentin, niilista, misantrópica e repleta de meditações pessimistas). Após discussões severas, o protagonista Roquentin chega, entretanto, à conclusão de que não vale mais a pena discutir, pois a mente do Autodidata definitivamente não está preparada nem disposta a ouvir seus intricados conceitos, os quais seriam a perdição absoluta de qualquer humanista. Um episódio bastante interessante a ser citado e que ocorre durante um dos encontros dos dois na biblioteca municipal é a morte de uma mosca, esmagada por Roquentin em frente ao Autodidata. Ignorando os pedidos do bibliotecário, Roquentin esmaga a mosca e declara consternado: “Simplesmente libertei-a de sua existência, era um favor a prestar a ela!”. É, sem dúvida, um episódio que deixa bem clara a melancolia advinda do existencialismo sartriano.

Música e Existencialismo

Logo no início da obra, Roquentin é bruscamente retirado de sua incessante náusea por uma composição jazzística de nome “Some of These Days”. A princípio, essa correlação entre alívio e música é bastante misteriosa para o protagonista, mas, aos poucos, ele acaba por entender sua razão. Depois, analisando a atitude daqueles que ele chama de “imbecis”, ou seja, aqueles que vão às salas de concertos buscando o esquecimento dos problemas ou aqueles que buscam superar suas crises com os “Prelúdios de Chopin”, Roquentin conclui que essas pessoas tentam se deixar tocar pela música, como se essa fosse capaz de penetrar os poros do corpo e os vazios da mente, provocando uma mudança de sensações. Na verdade, isso pode ser apontado como mais um mecanismo de esquiva da existência penosa e intratável, de forma que, ao invés de sofrer pura e simplesmente, cada ser humano busca um sofrimento ritmado, melódico, ou como o próprio Roquentin infere: “É preciso sofrer em compasso”. Ele vê-se, portanto, inserido nesse contexto de humanidade, tendo sofrido do mesmo engano que qualquer outro ser humano sofre, ao deixar-se invadir pela música tantas vezes citada “Some of These Days”.

A verdadeira existência

Ao final da obra, após ter reencontrado sua mulher Anny, pela qual ainda pensava nutrir fortes sentimentos, Antoine Roquentin descobre que já não havia entre eles mais nada, exceto a simples repugnância entre quaisquer duas existências, o que o abala extremamente e o leva e abandonar Bouville definitivamente. Antes de partir, entretanto, ele termina por fazer suas reflexões mais escaldantes de toda a obra. Usando de sua ampla visão e conhecimentos, ele divaga sobre o que é a existência definitiva e as relações entre as existências simplórias que encontramos por toda parte, sempre à espreita.

Para ele, por exemplo, a idéia da existência de uma árvore passa a ser gratuita e absurda como qualquer outra existência e o absurdo reside no próprio fato de se existir, isto é, torna-se um absurdo à medida que se existe, pois a existência é desprovida de uma lógica que a fundamente. Já no campo da matemática, uma circunferência encontra em si mesma uma lógica definida e clara – o giro completo de um segmento de reta lhe confere seu fundamento. Logo, o que existe é absurdo exatamente pelo fato de existir e deixa-se o absurdo à medida que se deixa a existência. Também o tempo é visto de uma forma intrigante, sendo nada mais nada menos que a nossa percepção sensitiva da mudança entre duas existências. O tempo, pouco conceituável fisicamente, torna-se filosoficamente algo de simplicidade interessante – entre duas existências e uma observação externa, configura-se a noção de tempo.

Para selar o pessimismo que é detonado a cada página, Roquentin diz ainda que, algum dia, ele vai esbarrar nas ruas com homens cujas línguas estejam transformadas em lacraias e suas feições completamente animalizadas, pois, em sua visão, a igualdade de todas as existências poderia tornar os homens cada vez mais “existentes”, simplesmente “existentes”, como as próprias lacraias o são. O marquês de Rollebon, origem de sua vinda a Bouville, tornara-se, para ele, uma simples fuga de si mesmo, um homem buscando abandonar sua existência e mergulhar na de outro, numa tentativa naturalmente frustrada. Uma das últimas coisas que ele faz em Bouville, antes de tomar seu trem, é sentar-se num banco e observar as existências que o rodeiam, seja a de um lago, a de uma árvore ou a de cada pessoa que ele observa.

Devemos ter em vista, ainda, que “A Náusea” é uma obra que cresceu numa mente inquieta e repleta de conceitos complicadíssimos e, até certo ponto, chocantes – a mente de Sartre. Cresceu também num solo fértil para tais contestações existenciais – um palco beligerante que encaminhava a Segunda Guerra Mundial (iniciada em 1939, um ano após a publicação da obra). Inegavelmente, a obra traz conceitos revolucionários e dissonantes de qualquer forma filosófica precedente, sendo amada por uns e renegada por outros, sem, todavia, perder sua importância no cenário da filosofia do século XX.


* Marcelo Sobrinho Mendonça, crítico, interessado em expôr uma visão do cotidiano. Publica artigos sobre literatura e filosofia. Reproduzido de SARAU PARA TODOS POESIA,CIÊNCIA,MÚSICA E… OUTRAS ARTES!, postado por Nadia Gal Stabile em 25/01/2010.

Liberdade por necessidade – por Terry Eagleton

24/02/2010

Terry Eagleton sobre “O Grande Inquisidor”, Lapham’s Quarterly,19/01/2010

[Tradução: Caia Fittipaldi]*


Publicada pela primeira vez na Rússia czarista em 1880, Os irmãos Karamazov é obra prima metafísica de Fyodor Dostoevsky, romance animado por clamores de danação eterna tanto quanto de imortalidade. Sigmund Freud acreditava que o livro deixasse entrever tendências obscuramente enigmáticas, até mesmo criminosas, de Dostoevsky; e surgiu na Rússia uma neologia – Karamazovshchina – para designar a depravação, a violência e o desvio psicológico que o romance explora. Como boa parte da ficção de Dostoevsky, seu último romance combina o trágico e o grotesco, momentos de êxtase místico e episódios de farsa selvagem. Seus personagens parecem viver em permanente estado de angústia patológica ou sensibilidade mórbida: nobres arruinados, caricatos proprietários de terra e funcionários doentes de paranóia social, todos mergulhados no gozo pervertido de serem insultados ou humilhados.

Seus extraordinários romances, dentre os quais Crime e Castigo (1866), O Idiota (1869) e Demônios (1872), apresentam uma sociedade naufragada em miséria feudal, mas colhida por ideias vanguardistas, misturadas com anarquismo e niilismo, tementes a Deus e negadores de Deus. Como alguém que conheceu a sedução da Cristandade Russa Ortodoxa, Dostoevsky jamais olhou com bons olhos a política radical e o secularismo liberal; como muitos modernos, era politicamente conservador e artisticamente temerário. E sua imaginação era acossada por rebeldes e parricidas, pelos marginais danados e amaldiçoados, tanto quanto pelos santos e pelas escrituras. A dissolução talvez seja apenas a via torta que leva ao Paraíso. É possível que os endemoniados entendam melhor Deus, à sua própria moda, que muitos bispos de gola engomada.

Os irmãos Karamazov não é apenas uma meditação sobre a graça e o pecado, inferno e salvação. É também um romance de intriga, um “policial”, como se diz hoje. Enormemente complexo, em algumas edições com quase mil páginas, o romance evolui em torno do assassinato de Fyodor Karamazov, proprietário de terras, e a ação – do início ao fim são apenas quatro dias – oferece todo o drama e a tensão das melhores histórias de detetive. Sobre um frágil fundamento de narrativa, repousa uma imensa, gigantesca, descomunal superestrutura de comentário social, de meditação religiosa e de ruminação filosófica. Os filhos de Fyodor, irmãos e herdeiros, muitas vezes chegam ao limite da loucura e da ruína espiritual, sempre exibindo desprezo profundo pela moralidade pequeno-burguesa. Dimitri, violento e sexualmente dissoluto, rufião metade sensual metade infantil no campo moral, é devorado por ódio edípico. Alexei, o mais jovem, também desdenha a linha média da moralidade, mas tende mais ao angélico que ao demoníaco. O irmão do meio, Ivan, o racionalista, parece rejeitar Deus completamente e engaja-se em vivo debate diretamente com o Demônio – que lhe aparece vestindo calças xadrez fora de moda.

O mais extraordinário fragmento do romance é “O Grande Inquisidor”.[1] Ivan conta a Alexei o que se conhece como “o Grande Inquisidor”, como parte de um diálogo entre os irmãos sobre a questão da fé religiosa. Suas discussões são dramáticas, negociações estratégicas, mais do que disputa de argumentos filosóficos. Não se pode pois subestimar essa maravilhosamente rica narrativa convertendo-a em simples exposição de ideias de Dostoevsky. Como a narrativa de Marlowe em Coração das Trevas[2], trata-se de uma história dentro de outra história. Não se sabe o quanto acuradamente se expõem aí crenças de Ivã, nem o quanto são influenciadas por aquelas específicas circunstâncias conversacionais. Durante o episódio não temos acesso à sua consciência. Em vez disso, ouvimos uma história que não tem qualquer existência separada desse específico ato de contar, e da qual o próprio Ivan zomba, apresentando-a como “nada além de poema zonzo, de estudante zonzo”. Talvez esteja apenas tentando ‘conquistar’ o irmão, a quem a fábula soa mais ou menos incompreensível. Estará tentando dar uma sacudida na fé de Alexei? A forma complexa, desviante do episódio, em outras palavras, nos chama a atenção para o fato de que estamos na presença de literatura, não de filosofia ou teologia. O Grande Inquisidor acusa Cristo, o que não parece característico de Dostoevsky, homem de inclinações religiosas. Por outro lado, o pouco prestígio de que goza o rebanho comum, aos olhos do Inquisidor, soa bem próximo das próprias opiniões do autor. Nada nesse grande capítulo pode ser lido superficialmente. A verdade nunca se compra barata.

A trama de “O Grande Inquisidor” é bem simples: Jesus volta à Terra, descuidado a ponto de desembarcar na cidade de Sevilha durante a Inquisição Espanhola. O Grande Inquisidor, já chegando aos 90 anos, ordena a prisão do Salvador, com planos de o fazer queimar vivo no dia seguinte, em praça pública, como “o mais vil dos hereges”, e vai à cela onde Jesus está preso para explicar por quê. O que se lê daí em diante é uma das mais cuidadosamente bem arquitetadas apologias do despotismo religioso jamais escritas, ou é espantosa sátira desse tipo de autocracia. Por que Jesus, pergunta o Inquisidor, depôs o intolerável peso da absoluta liberdade sobre os ombros da pobre, fraca, depravada humanidade? Como se atreveram Jesus e seu pai a professar tal eterno amor por todos os homens e mulheres, ao mesmo tempo e m que os tentam com tantos ideais impossíveis? Melhor, claro, seria oferecer ao povo aquilo por que o povo mais suplica – o pão da terra –, em vez de oferecer-lhe só o etéreo pão da bem-aventurança eterna. A terrível verdade é que os seres humanos são fracos demais para carregarem o peso da liberdade. “Nada seduz mais os homens que ter a consciência livre”, o Inquisidor explica a Jesus, “mas nada, ao mesmo tempo, mais o atormenta que a consciência livre. E por isso, em vez de um fundamento sólido que traga paz à consciência humana de uma vez por todas, vocês preferem algo desconhecido, enigmático, indefinido; vocês escolhem algo que está além da força humana.” O homem anseia, sobretudo, por entregar sua assustadora liberdade a um mestre benigno, que cuidará de manter-lhe vivo o corpo e o aliviará do sofrimento conhecido como desejo de escolher.

O único alívio, sugere o Inquisidor, é a Igreja. “Melhor que nos escravizem, mas nos alimentem” – eis o choro do povo; a Igreja, em sua sabedora, responde a essa súplica com as três sagradas consolações, “milagre, mistério e autoridade.” Diferente de Ivã, intelectual cruel, o povo pobre deseja cultuar, não entender; e a combinação na Igreja tradicional, de operar milagres, uma gota de mistério, segredo e enigma, e uma autoridade que parece dispensar qualquer fundamento puramente racional, graciosamente deixa-se venerar. O Grande Inquisidor entende, e tem certeza de que Deus não entendeu, que os seres humanos são horrivelmente fracos e impotentes. O amor do Grande Inquisidor consiste em protegê-los em sua fragilidade, não, sadicamente, esfregar-lhe no nariz aquela fragilidade. O Grande Inquisidor conclui sua denúncia e Jesus nada diz. Em vez de falar, curva-se para a frente e beija na boca o Grande Inquisidor. O Inquisidor suspende a execução de Jesus. Condena-o ao exílio eterno. Que nunca mais volte.

Diferente de muitos ateus e agnósticos – diferente, de fato, também de muitos crentes – Dostoevsky assume que Deus é fonte, não obstáculo, da liberdade humana. Deus é amor, como argumenta Santo Tomás de Aquino, é o que nos permite sermos nós mesmos, assim como o cuidado da boa mãe, do bom pai, permite aos filhos florescer como seres autônomos. Paradoxalmente, é nossa dependência de Deus que nos liberta. Dostoevsky não tem paciência para as fantasias infantis-adolescentes de Deus como um Paizão que só existe para atrapalhar nossos prazeres secretos, uma espécie de Bill O’Reilly celestial chato. Há bons motivos psicológicos para que acalentemos aquela fantasia, masoquistas crônicos que somos. Freud sabia da gratificação que obtemos de cada surra que levamos de nosso crudelíssimo, vingativo superego. Trata-se apenas de desaprender essa visão infantilizada de Deus e passar a vê-lo como amigo, amante, parceiro de luta e conselheiro da defesa. Exatamente o que tanto não queremos fazer. É muito mais conveniente vê-lo como velho irascível e safado, um desses rock stars badalados que todos os dias têm de ser aplacados e acalmados. Isso feito, todos podemos gozar as delícias edípicas de nos rebelar contra Deus.

O Grande Inquisidor acerta também ao ver Deus como assustador. No Velho Testamento, Jafé manifesta-se como um fogo terrível de ver, um abismo sublime que derrota qualquer tentativa de representação. Mas o Inquisidor não vê que o que tudo ultrapassa, em Deus, é o amor. É como um terror santo que tudo destrói para tudo renovar, sem limite para o perdão e o favor. A paixão de Deus por suas criaturas tem a intransigência das coisas não condicionadas, do incondicionado perfeito. Deus não tem, como tantos gnósticos imaginam tão confortavelmente, uma face criativa e uma face destrutiva. O escândalo é que as duas faces são uma e a mesma.

A liberdade também tem duas faces desse tipo. É ao mesmo tempo dom e maldição, veneno e cura, auto-realizarão e autodesfazimento. A vida das criaturas livres é ao mesmo tempo precária e entusiasmante, o que é mais do que se pode dizer da vida dos peixinhos de aquário. O animal histórico, diferente do animal natural, vive sempre em risco, “condenado a ser livre”, diz Sartre. “Vivemos em liberdade por necessidade”, acrescenta Auden. Arrastamos nossa liberdade pelo mundo, como correntes e bola de ferro. Mas, embora os humanos possam fazer mau uso da liberdade, não são completamente humanos sem ela. O maior elogio jamais feito à humanidade é a doutrina do inferno. Se somos livres para rejeitar a própria fonte de nossa liberdade, para cuspir na cara do Criador, então, sim, somos superiores a tudo. E se o Criador se fez assim tão humilde, desejando a própria vulnerabilidade, então talvez não seja tão autoritário controlador como se diz que seja. O pensamento contudo é tão assustador quanto prazeroso, motivo pelo qual o Inquisidor pode não ver coisa melhor a fazer-se com a liberdade além de imediatamente passá-la adiante, como jogador de meio de campo, desesperado para passar a bola que acaba de receber.

Esse ato de renúncia, pode-se ver, não é idêntico a crer que a mais alta forma de liberdade é a voluntária cessão da liberdade. Para o Inquisidor, que tem da humanidade a visão diminuída típica dos conservadores, homens e mulheres deveriam abandonar a liberdade que têm, porque a liberdade é praga. Por outro lado, para um certo tipo de protagonista trágico, devemos abrir mão da liberdade precisamente porque é o nosso bem mais amado. Se livremente podemos abrir mão dela, abraçar deliberadamente nosso destino, então, sim, somos invulneráveis. No próprio ato de nos submeter à autoridade superior, revelamos um poder que a transcende. Há algo desse paradoxo na crucificação de Cristo; e na aceitação amorosa do Pai, por Jesus, está o fundamento de sua ressurreição. Só ao abraçar a humilhação e a morte, sem as ver como degraus da escada para a glória, Jesus transfigura a fraqueza em potência. Ao mesmo tempo, esse paradoxo pode também ser a mais sutil das tentações do demônio. Foi, no caso dos nazistas, que encontraram um tipo mais profundo de liberdade, muito superior à miserável modalidade liberal, que encontraram ao submeter-se ao Führer e à Pátria-mãe. A linha que separa o comandante da SS e o mártir que voluntariamente se entrega ao martírio do próprio corpo para salvar outros é muito fina.

Os norte-americanos tipicamente pensam nos aspectos positivos do idealismo; o Inquisidor considera destrutivas as consequências disso. Para um europeu como eu, jamais deixo de me surpreender com o idealismo dos EUA – ironicamente, onde se constituiu uma das civilizações mais materialistas de toda a história. Os norte-americanos devem sempre mais afirmar que protestar, mas esperar que lamentar, ser vencedores mais que perdedores, sempre aspirantes, nunca submissos rastejantes. Nesse mundo faustiano de sempre mais, mais, mais, a negatividade é crime grave. Se se mete na cabeça um tipo de vitória sobre a matéria digna da Ciência Cristã[3], não há limites para a ambição humana.]

Essa ideologia blasfema, sintetizada na conhecida mentira norte-americana do “Yes, you can” [sim, você pode] fazer o que quer que meta na cabeça que fará, passa sem ver pela fragilidade e pela finitude do homem – território que o Inquisidor conhece muito melhor. Também diferente nisso do Inquisidor, esse otimismo sem limites não vê o que bem se pode designar como “o terrorismo do ideal”. Claro que é preciso acalentar ideais, mas, como “a lei” para São Paulo, os ideais não podem fazer mais do que mostrar onde cada um errou; nenhum ideal consegue mostrar a alguém como fazer melhor. Esse é o motivo pelo qual Paulo amaldiçoa a lei. Os ideais têm nariz empinado e colarinho duro, em tudo parecidos com o superego freudiano – uma faculdade que nos estimula a aspirar abaixo de nossas potências, a falhar sempre e, depois, a mergulhar num poço de auto-recriminação [também chamado ‘autocrítica’]. O idealismo é cúmplice da violência e do desespero, não antídoto contra eles. O desejo neoconservador de arrastar o universo para fora da barbárie, rumo à luz da civilização, está em exposição e pode ser visitado, por exemplo, na baía de Guantánamo.

É contra essa fúria arrogante, esse ciclo autodestrutivo, que o Inquisidor procura proteger o homem comum. Se não esperamos demais dos outros, não cairemos em posições de trágico desapontamento e frustração cada vez que os outros não chegam até “lá”, inevitavelmente, tantas vezes faltando tão pouco. O niilismo ou o cinismo são a outra face do idealismo. O realismo é a única base segura para uma vida moral. O que mais partilhamos com os seres humanos nossos companheiros é nossa carne frágil. Qualquer solidariedade que não se baseie nisso e baseie-se em algum tipo de partilha de altos propósitos sempre será frágil. Solidariedade entre fracos é perdão mútuo; e o perdão é a mais avançada forma de realismo porque, para ser autêntico, o perdão tem de reconhecer plenamente o horror da ofensa no momento em que a afasta de si.

Como Freud sabia bem, os mais sublimes impulsos do homem têm raízes nos impulsos mais basais e, se não tiverem, não florescem. O que nós criaturas temos em comum, afinal, é o corpo sem adornos, o que é o mais universal de nós mas, também, o mais vulneravelmente precário e único. Por isso a vítima do campo de concentração, desnudada de toda e qualquer cultura e história específica, é prototipicamente humana em sua absoluta miséria. A alternativa real ao idealista é o perdedor. A mensagem do Novo Testamento é que os pobres, as putas, os adúlteros seriais, os colaboradores dos poderes coloniais, a escória do mundo herdarão o império, não os pios e bem-comportados. E chama a atenção que Jesus sequer tenha pedido que esses tipos de péssima reputação se arrependessem antes de unir-se a eles – escandalosa, espantosa inovação introduzida pelo povo judeu.

A teologia do Grande Inquisidor soa estranha porque ele não vê que a perigosa liberdade que Deus dá aos homens e mulheres é, dentre outras coisas, liberdade do jugo da lei. Por isso Jesus diz “Meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mateus XI 28-30). São os escribas e fariseus, diz ele, que impõem pesados fardos às costas dos pobres. Jesus exige, como maior demanda, por sua vez, amor e tolerância. Com essas demandas, mostra que Deus não é um Paizão, que não é adversário autoritário e restritivo, cheio de truques. No Velho Testamento, a palavra em hebraico para “adversário” é Satan, e Deus ganha traços de Satan para os que o concebam como alguma espécie de superpotência assustadora, e pensem que para barganhar e obter os favores dele bastaria fazer as coisas certas. Segundo Jesus, Deus já perdoou todos – falta apenas que todos se deixem amar por Deus. Aí está a tremenda dificuldade. Muito mais prazeroso é abraçar as cadeias que sujeitam os outros.

O Grande Inquisidor alista-se entre os que veem Deus como seu inimigo. Ele crê que, como um déspota brutal, Deus joga sobre os ombros de homens e mulheres mais do que podem carregar; esse peso, o Grande Inquisidor não chama dízimo ou imposto, mas liberdade. Ao mesmo tempo, o Inquisidor não vê a solidariedade de Deus com a fraqueza humana – que também é conhecida pelo nome de Jesus. No Calvário, Deus se comprova frágil e carnal até a morte. Seu único significante é o corpo torturado de um homem que falou de amor e justiça e o Estado condenou à morte. Só se se consegue olhar de frente esse terrível fracasso, pode-se encontrar fundamento para algo mais edificante. Só depois de enterrado na terra, pode-se subir aos céus. O amor fez sua morada em terra coberta de excrementos, como Yeats não nos deixa esquecer. Idealismo moral que recuse essa verdade é sempre, só, mais ideologia.

Dostoevsky com certeza sabia que o Jesus do Novo Testamento rejeita a clara divisão que o Inquisidor apresenta, entre o pão da terra e o pão do espírito. No Evangelho de Mateus, a salvação não é questão “religiosa” ou etérea; é questão de alimentar os famintos e tratar dos doentes. No verdadeiro espírito judaico, o ensinamento é ético até a medula. São os de mente materialista que preferem religião em outros termos e palavras, se possível palavras do outro mundo, para compensá-los do excesso de esse-mundanismo crasso de sua verborragia materialista. Não surpreende que uma garota material(ista)[4] como Madonna tenha aulas de misticismo no Kabbalah Center em Los Angeles. Onde mais, se não lá, poderia ela escapar por um momento dos agentes, fãs, gerentes, cabelereiros, costureiros e tais? Claro que a salvação não pode depender só de prosaicos copo d’água e côdea de pão. O Grande Inquisidor é sujeito profundamente mundano, que tem objeções ao que vê como cobranças espirituais cruelmente irrealistas. Em termos mundanos espertos, ninguém jamais foi tão longe quanto ele. Mas ele não percebe é que Deus é um tipo único de superego, que antes aceita o fracasso e ama o fracassado, do que recompensa o sucesso.


* Caia Fittipaldi reside em São Paulo, é formada em Linguística, pela USP, e trabalha como tradutora e editora de texto. Texto recebido por e-mail da rede castorphoto. O original, em inglês, pode ser lido em: http://www.laphamsquarterly.org/reconsiderations/freedom-by-necessity.php?page=all

[1] NT: Pode ser lido, em português, em http://www.scribd.com/doc/24831393/Fiodor-Dostoievski-O-Grande-Inquisidor .

[2] NT: Pode ser lido, em português, em http://www.scribd.com/doc/11021362/Joseph-Conrad-O-Coracao-Das-Trevas

[3] NT: Para saber o que é, ver http://en.wikipedia.org/wiki/Christian_Science

[4] NT: Ing., “material girl”. É o título de música gravada por Madonna, em seu segundo álbum, “Like a Virgin”, lançado em janeiro de 1985. “Material Girl” passou a ser uma espécie de codinome da cantora (emhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Material_Girl).

José Saramago no Jornal da Globo

28/11/2009

Na segunda parte da entrevista a Edney Silvestre nas Ilhas Canárias, o escritor revela não ter medo de morrer, mas cita a avó ao falar sobre ter pena por deixar um mundo que considera ‘tão bonito’. E também fala do governo Lula, de terrorismo, e de sua reação ao saber que ganhou o maior prêmio literário do planeta.

Dostoiévsky – Os Irmãos Karamázov

21/11/2009

Os Irmãos Karamázov, romance que sintetiza a obra de Dostoiévski, ganha uma edição em dois volumes, com tradução feita diretamente do russo por Paulo Bezerra.